Apesar da ainda dramática situação do mercado de caminhões, com queda de 31% nas vendas de janeiro a outubro, Antonio Megale, presidente da Anfavea, acredita em mudança nos próximos meses, muito em função das boas notícias vindas do agronegócio, com expectativa de mais uma safra recorde, acima das 200 milhões de toneladas de grãos.
“É importante dizer que o número de consultas do transportador vem aumentando dia a dia”, lembrou o dirigente durante divulgação do desempenho do setor automotivo na segunda-feira, 7. “Os executivos das fabricantes de veículos comerciais confirmam esse momento, os telefones voltaram a tocar na rede de concessionárias.”
Em outubro o mercado absorveu 3.444 caminhões, abaixo, portanto, do patamar de 4 mil unidades que vinha sendo registrado ao longo do ano. O volume representou declínio de 17,9% na comparação com setembro e de 40,4% em relação ao mesmo mês 2015.
No acumulado do ano até outubro, os negócios somaram 42.311 unidades, volume 31% inferior ao que foi registrado no mesmo período do ano passado: 61.302 caminhões.
“Os números realmente são muito ruins, o que ainda mostra certo receio do investidor. Por outro lado, já se percebe nos índices de confiança do consumidor uma inversão. Não se pode chamar de uma reação, mas que indica uma mudança de direção.”
Também no mês passado as exportações não foram nada boas para o segmento. Em outubro as fabricantes embarcaram 1.651 caminhões, volume 34% menor do que o setembro e 20,5% inferior ao do mesmo mês do ano passado, quando deixaram o País 2.077 unidades.
De janeiro a outubro as fabricantes acumulam vendas externas de 16.908 caminhões, queda de 3,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
As quedas nos mercados interno e externo, por óbvio, refletiram na produção. Em outubro saíram das linhas de montagem 4.635 caminhões, volume 4,4% menor do que setembro e 31,8% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram produzidas 6.799 unidades.
Nos dez primeiros meses do ano, a produção de caminhões acumula 51.018 unidades, volume 22,9% inferior ao que foi produzido no mesmo período do ano passado: 66.130 caminhões.
Ônibus – O mercado interno do segmento de chassi para ônibus segue ainda mais retraído do que o de caminhões. Em outubro apenas 584 chassis foram emplacados, retração de 16,7% na comparação com setembro e 34% abaixo do volume vendido no mesmo mês do ano passado.
No acumulado do ano até outubro, a queda ultrapassa os 32%. Nos dez primeiros meses foram negociados 9.885 chassis contra 14.604 de um ano antes.
Nas exportações, porém, o segmento de chassi registra um desempenho melhor. No mês passado as fabricantes embarcaram 1.067 unidades, pequena queda de 2,5% em relação a setembro, mas alta de 42,3% sobre o outubro do ano passado.
As remessas de janeiro a outubro acumulam 8.051 chassis, crescimento de 34,9% na comparação com os embarques de um ano antes.
Influenciada pelas exportações, na produção de chassi nem tudo ficou no vermelho. Em outubro as fábricas produziram 1.654 unidades, volume 22,9% menor do que o produzido em setembro, mas 34,3% maior em relação do registrado em outubro de 2015, quando foram montados 1.232 chassis.
De janeiro a outubro, a produção de chassi acumula 16.136 unidades, o que representa uma baixa de 19% na comparação com o mesmo período de 2015.
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